Investimento em pneus radiais para máquinas agrícolas auxilia no manejo de solo

Tecnologia promete economia de combustível, a redução da compactação do solo e o aumento da produtividade
Quando se fala em automóveis, os motoristas sabem exatamente o que significa “pneu careca”, eles se preocupam com a manutenção do produto e reconhecem o momento da troca. Porém, quando os pneus entram em campo, muitas vezes a manutenção passa despercebida. São tantos detalhes das plantadeiras, tratores e colheitadeiras disputando a atenção do produtor rural que os cuidados com os pneus podem ficar em segundo plano. No entanto, a qualidade dos pneus tem grande impacto no desempenho do maquinário e, na hora da troca, o produtor pode optar por comprar modelos de pneus agrícolas mais eficientes.
Cuidado com o solo: Atualmente, o produto mais moderno para o segmento agrícola são os pneus radiais. O diferencial desse modelo está na forma como ele se apoia sobre o solo. Com o radial, a “pegada” do pneu ao solo é feita por toda a banda de rodagem, o que faz com que a área de contato com o solo seja maior. Isso é diferente dos pneus convencionais ou diagonais, que dominam atualmente o mercado agrícola brasileiro.
Mesmo que não pareça, os pneus radiais não são uma criação recente. A Michelin, por exemplo, começou a fabricar esse tipo de pneu há mais de 40 anos. O produto é amplamente utilizado na Europa, respondendo por 87% dos pneus agrícolas.
No Brasil, entretanto, a tecnologia representa apenas 9% do mercado. Isso ocorre porque a produção nacional de pneu radial ainda é baixa, o produto é mais caro e direcionado para a reposição. Mas, de acordo com Christian Mendonça, diretor de comércio e marketing da Michelin América do Sul, essa realidade está mudando. Desde 2016, a Michelin começou a fabricar os pneus radiais no Rio de Janeiro (RJ), na primeira fábrica de pneus agrícolas da empresa localizada fora da Europa. “A gente acredita que a fabricação no Brasil vai impulsionar a radialização da agricultura”, afirma o diretor da Michelin.
Menos compactação e economia: Com testes auditados pela Fundação Vanzolini, realizados na Fazenda Dona Carolina, em Atibaia (SP), a Michelin comprovou que, quando comparados aos convencionais, os pneus radiais compactam cerca de 33% menos o solo e economizam aproximadamente 28% de combustível.
“O ponto a ser destacado é a pressão. Os pneus radiais trabalham com baixa pressão permitindo o aumento da sua área de contato com o solo. Dessa forma, há menos esforço do motor, maior economia de combustível e maior proteção do solo, permitindo ganhos significativos para o produtor”, afirma Mendonça. A redução da compactação do solo acontece por causa da maior pegada sobre o solo.
Custo-benefício do pneu: Os pneus radiais são mais caros, com preços que podem superar em até 100% o investimento nos modelos convencionais. Porém se os benefícios forem considerados, num prazo de seis a oito meses o investimento está pago.
O crescimento da produção no Brasil e a maior oferta do produto, por consequência, permitirá que mais máquinas agrícolas já saiam das fábricas com os pneus radiais nos próximos anos. De acordo com Mendonça, o cenário favorável vai facilitar a vida do produtor que deseja investir em novos pneus. “O produtor está começando a se dar conta de que não adianta usar uma máquina moderna com os pneus da década de 70”, diz.
Cuidado com a pressão dos pneus agrícolas: É sempre importante fazer a manutenção da pressão dos pneus. A calibragem correta vai variar de acordo com a máquina e com os implementos, mas o recomendável é que a pressão seja verificada sempre antes de começar as atividades de campo. Um erro que o produtor rural ainda comete é calibrar os pneus “no olho”, mas o ideal é seguir à risca as orientações do fabricante.
Curiosidades do pneu agrícola radial
Vida útil: até 4 vezes maior que a do pneu convencional
Participação no Brasil: 9%
Economia de combustível: 28%
Redução de compactação do solo: 33%
Aumento da superfície de contato: 30%